Blogger Widgets

[Resenha #228] Vou lhe mostrar o medo - Nilolaj Frobenius @geracaobooks




Vou lhe Mostrar o Medo
Nikolaj Frobenius
ISBN: 139788581301099
Tradutor: Eliana Sabino
Ano: 2013
Páginas: 296
Editora: Geração Editorial

Compre: Submarino
Classificação: 3 estrelas

SINOPSE:
Edgar Allan Poe (1809-1849), o célebre poeta e autor de histórias de terror, bem como criador do gênero policial na literatura, é o protagonista deste romance de suspense psicológico, que discute os limites da criação literária e a responsabilidade moral da arte. Nele vemos o jovem escritor norte-americano afligido pela pobreza, angustiado com a enfermidade da sua frágil esposa e assombrado por um maníaco que comete assassinatos inspirados nos seus escritos, além de sabotado em sua carreira pelo crítico literário Griswold, que lhe dedica um misto de admiração e ódio. Publicado em toda a Europa, traduzido em dez idiomas e plagiado por Hollywood, este romance premiado marca a estreia, no Brasil, de Nikolaj Frobenius, um dos grandes expoentes da moderna literatura norueguesa.


Resenha:

Quando recebi esse livro para resenha, fiquei muito contente, já que gosto muito do escritor Edgar Allan Poe. Adoro O Corvo, que são poemas com toque sobrenatural, e também já li outros contos como O gato preto, O poço e o pendulo e outros. Para quem é fã de clássicos e de histórias de suspense e terror, não tem como não conhecer esse autor, já faz 164 anos de sua morte, e mesmo assim continua a atrair novos leitores.

O escritor norueguês, Nikolaj Frobenius, tirou proveito de alguns aspectos contraditórios e que nunca foram explicados da vida de Edgar Allan Poe e escreveu um romance policial mesclado com uma biografia do escritor.

A trama é centrada em torno de uma série de assassinatos cometidos como imitação dos livros de Poe. Também conta um pouco sobre sua vida. Quando Edgar Allan Poe tinha três anos sua mãe morreu, e ele e seus dois irmãos foram adotados por famílias diferentes. Seu pai adotivo, lhe dava sermões e sua família não via seu talento. Anos depois se casou com sua prima Virginia, a qual ele chamava de Sissy, eles viviam uma vida singela.

Tempos depois, Poe recebe a notícia sobre assassinatos que seguem com precisão o enredo de seus livros, e também seu rival Rufus Griswold, está sempre o atacando, ele tem admiração e aversão as obras de Edgar por se tratar de temas tão macabros. Griswold é um fanático religioso e sempre acusa Poe de ser ateu e imoral.

A idéia mesmo do livro é mesmo de mostrar mais o drama vivido por Poe diante de ver sua carreira ameaçada por um assassino imitador e, também mostrar seus dramas pessoais, e a sua relação com Griswold.

Vou lhe mostrar o Medo tem uma história complexa, sombria e rica em detalhes, uma narração impecável.

O trabalho editorial ficou perfeito, a capa muito bem feita, a diagramação, revisão e tradução, excelentes, e folhas amarelas e algumas pretas no começo de cada parte, ficou lindo.

Este não é um livro que vai agradar a todos, agradou a mim que sou fã de Poe. Ele tem uma narrativa mais lenta e detalhada sobre a vida de Poe, eu adorei saber mais sobre ele. Recomendo esse livro para quem gosta de histórias de mistério no estilo dos livros clássicos.



veja uma entrevista do autor sobre VOU LHE MOSTRAR O MEDO:



Como e quando teve início a sua fascinação por Edgar Allan Poe?


A primeira vez que ouvi um conto de Edgar Allan Poe foi durante uma viagem que fiz com meu pai quando eu tinha 13 anos. Era outono e fomos para um chalé no bosque, na região leste da Noruega. Estávamos em meados de outubro e o clima encontrava-se úmido e sombrio. O chalé era isolado, não havia eletricidade e a atmosfera era soturna — perfeita para uma historinha horripilante. Não havia TV e nem radio no chalé, nenhum acesso a entretenimentos modernos, mas ao anoitecer meu pai tirava um livrinho da estante e lia um conto para mim. A história era incrivelmente simples, sobre um homem que vagueia pelas ruas da velha Londres, observando as pessoas, entusiasmado com a atmosfera febril da metrópole. Ele se senta num café para descansar. Na multidão à sua frente, vislumbra um homem muito velho percorrendo a praça sem rumo. Por curiosidade começa a seguir o velho através de ruas e vielas estreitas, durante horas. O velho apenas anda e anda, sem direção, sem propósito, e no final o narrador desiste. Não há objetivo, não há motivo algum, apenas caminhar sem fim. Esse é o enredo do conto de Poe “O homem na multidão”. É incrivelmente simples, quase absurdo. Mas o modo como foi escrito, o terror reprimido do narrador e as aleias escuras da velha Londres, causaram uma tremenda impressão em mim quando eu era garoto. Continuei a ler os contos de Poe e, mais tarde, interessei-me também por seus ensaios e poemas. Seus contos são de suspense psicológico e acho que foi essa combinação que me fascinou: o horror da alma.

O seu livro traz uma ligação bastante sutil entre Griswold, Poe e Samuel, o assassino. Griswold condena Poe por ser amoral como escritor e como poeta, ao passo que Samuel — o homem que comete assassinatos sangrentos inspirado pelos contos de Poe — é um personagem completamente amoral. Seria isso um modo sutil de sugerir que Griswold tinha razão em sua opinião de que a poesia deve sempre ter uma justificação moral?

 
No que se refere a Samuel, acho que as ações dele dificilmente podem ser compreendidas como algo além de um terrível mal-entendido. Mas creio que também demonstra a vulnerabilidade da literatura. Não existem garantias, para o escritor, de que ele será entendido, e textos às vezes podem ser mal interpretados de formas muito destrutivas. Mas há outra camada no romance que se ocupa — como você mencionou —, do subtexto amoral dos escritos de Poe. Assim, embora Samuel Reynolds seja com certeza o tipo de fã obcecado que nenhum autor deseja ter, ele foi influenciado pelo elemento misantrópico do universo de Poe. A atmosfera de perigo nos contos de Poe também está associada aos elementos de violência e horror da sua ficção, ele tem um autêntico instinto para isso. O que talvez explique por que Poe continua sendo um escritor tão controverso.

Quem são seus escritores favoritos e de que modo eles inspiram você?

 
Li Edgar Allan Poe quando adolescente, juntamente com Dostoievski e William Faulkner. O material “dark”. Mais tarde, passei a ler de forma mais abrangente e tive uma forte queda por escritores sul-americanos, como Borges e Bolano. Sempre apreciei o gênero noir e recentemente li muita coisa do escritor norte-americano de literatura pulp David Goodis. Sujeito perturbado. Escreve formidavelmente.

A sua ideia para o romance Vou lhe mostrar o medo é exatamente a mesma do filme O corvo, que estrelou John Cusack no papel de Poe, mas o seu nome não foi mencionado nos créditos. Foi plágio ou você fez algum tipo de acordo com os produtores do filme?

 
Bom, às vezes acontece de você ter uma ideia realmente boa e então alguém a retalha toda e finge que é dele. Isso não contribui muito para a minha boa opinião sobre a humanidade, mas não há dúvida de que existem por aí abutres à procura de ideias para adotar, roubar e devorar. Na verdade, o filme foi bem decepcionante, a ideia acabou sendo melhor que o próprio filme, o que me parece justo: se você rouba as ideias dos outros, receberá algum tipo de castigo no final.

Não são muitos os autores noruegueses conhecidos dos leitores brasileiros. Em sua opinião, quem são os melhores autores da Noruega e o que você tem a dizer sobre deles?

 
A Noruega é um país pequeno, mas somos abençoados com uma literatura bastante rica, tanto tradicional quanto contemporânea. Knut Hamsun, o Dostoievski norueguês, Henrik Ibsen e Sigrid Undset são provavelmente os escritores noruegueses mais célebres. O bom a respeito da literatura norueguesa contemporânea é que existem realmente muitos estilos e perfis, há escritores jovens que mergulham na vida privada do aqui e agora, mas existem também alguns que procuram dar vida nova a gêneros antigos, como o noir, o romance político, etc.

Você está com algum projeto novo no momento? Pode falar a respeito?


Estou concluindo um novo romance, intitulado A maldição. É um romance sobre um romancista que escreve um romance autobiográfico a respeito da infância dele e de um incidente particular em que uma escola foi incendiada. O culpado é expulso da escola e, mais tarde, dado como morto. Porém, muitos anos depois, o piromaníaco volta para se vingar do modo como foi retratado no romance, e o romancista é lenta porém inevitavelmente envolvido numa teia sinistra. Esse é o enredo, e no momento o meu trabalho consiste em tornar cada frase tão boa quanto possível.


 

2 comentários:

  1. Oi Michelle!
    Ainda não conhecia o livro.
    Gostei da resenha, mas acho que não o leria. Não faz meu gênero.

    BjO
    http://the-sook.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Eu também gosto de Edgar Allan Poe e por ele eu leria este livro, apesar de ver algumas pessoas o criticando.
    Mas sério, a capa é demais né.

    Beijo, Van - Blog do Balaio
    http://balaiodelivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...