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[Resenha #492] Willow - Julia Hoban @EditoraLeya


Willow
Julia Hoban
ISBN: 9788544100813
Ano: 2014 / Páginas: 352
Editora: LeYa
Skoob
Classificação: 4 estrelas
Compre: Saraiva

Sete meses atrás, em uma noite chuvosa de março, os pais de Willow acabaram bebendo muito durante o jantar e pediram a ela que guiasse o carro até em casa. Por uma fatalidade, Willow perdeu o controle do veículo e seus pais morreram no acidente. Consumida pela culpa, Willow deixa para trás sua casa, amigos e escola e, enquanto tenta retomar a relação de afeto e companheirismo com o irmão mais velho, secretamente bloqueia a dor da perda cortando a si mesma. Mas quando Willow encontra Guy, um rapaz tão sensível e complexo quanto ela, mudanças intensas começam a acontecer, virando seu mundo de cabeça para baixo. Contado de modo cativante e doce, Willow é um romance inesquecível sobre a luta de uma jovem para lidar com a tragédia familiar e com o medo de se deixar viver uma linda história de amor e cumplicidade.




Eu realmente não sei nem por onde começar com esta resenha. Willow é um daqueles livros que te deixam sem palavras. Deixa você pensando na história por dias. O assunto é, claro, bem difícil e triste.

Willow é uma adolescente de dezesseis anos muito conturbada. Qualquer pessoa na sua situação seria. Ambos os seus pais foram mortos em um acidente de carro horrível no qual ela estava dirigindo. Willow acredita que ela é responsável pela morte de seus pais. Numa noite chuvosa, os pais de Willow tinham bebido muito e lhe pediram para levá-los para casa. Ela acredita que o acidente de carro que os matou foi sua culpa, já que ela estava ao volante.

Willow, desde então, começou em uma nova escola e foi morar com seu irmão, sua esposa, e sua filha. O dinheiro é um problema constante em sua nova casa, e Willow perde a capacidade de se comunicar com seu irmão em qualquer nível além do superficial. Ele acredita que a culpa pela morte de seus pais é dela, tal como ela se culpa. Antigamente, ela era muito próxima de seu irmão, mas desde o acidente a sua relação foi se desintegrando.


No início do livro, Willow se mostra como uma personagem muito paranoica. Ela acredita que as pessoas estão falando sobre ela ou sobre sua situação. Pois, Willow tende a se culpar pela morte dos pai e acredita que outras pessoas devem culpá-la também. A fim de lidar com a sua profunda depressão e sentimentos de culpa, Willow tem recorrido a um método extremo de controlar sua dor: ela se corta. Ela acredita que tem tudo sob controle, permitindo-se somente sentir dor quando ela inflige sobre si mesma.

Em seguida, ela conhece Guy, um cara que estava buscando um livro fora de catálogo na Biblioteca onde Willow trabalha. Logo de cara, ela sente algo por ele, mas ela tem receio de deixar qualquer pessoa se aproximar dela. Mas seu sentimento por ele só cresce e ela não consegue lutar contra. Embora, no começo, Guy esteja em um relacionamento, e seja um ano mais velho, eles começam a ser amigos e ele descobre o segredo dela e mesmo assim quer ajudá-la. Enquanto o relacionamento entre eles cresce, Willow começa a aprender a lidar com os eventos traumáticos de seu passado e percebe o que significa depender de alguém. Ela deixa sua dor se abrir, um centímetro de cada vez, para deixar a vida se abrir a ela novamente.

O crescimento de Willow ao longo deste livro é simplesmente incrível. No começo, o crescimento ocorre lentamente. E, posso dizer que sem Guy, Willow não teria conseguido superar sua dor. Guy, um jovem doce, carinhoso e amável, vê toda a dor de Willow, e como ela tem infligido cortes sobre seu corpo, ele é movido pela sua amizade e preocupação por ela, para lhe dar apoio, e ele sente responsabilidade por Willow, porque ele sabe o seu segredo. Ele foi um personagem muito bem escrito e real. A autora soube desenvolver bem esse personagem, que nunca foi clichê de um simples salvador da protagonista. Na verdade, o romance foi lentamente florescendo entre Willow e Guy, que é talvez o mais belo elemento deste livro, e é imensamente comovente de ver Willow lentamente chegar a um acordo com o fato de que ela não pode se esconder por trás da carapaça dura que ela criou para si mesma para sempre. Enquanto ela cresce lentamente a aceitar mais seus sentimentos em relação a Guy, seu relacionamento com seu irmão se transforma também. Gradualmente, eles se tornaram mais abertos sobre suas emoções, e estenderam a mão para ajudar um ao outro para lidar com a situação.

Willow foi um livro incrivelmente difícil de se ler, em muitos aspectos, mas não de uma maneira ruim. O corte e auto-mutilação são difíceis de ler, como seria de se esperar. A autora soube retratar os horrores que Willow fez a si mesma de forma brilhante, e também passa para o leitor o por que dela recorre à auto-mutilação. Embora seja difícil de compreender a magnitude da depressão de Willow, ela é um personagem fácil de simpatizar.

Não pense que este livro seja deprimente, ele não é. É sobre a recuperação de Willow e sua jornada de volta à saúde emocional. Vendo Willow se aproximar mais de Guy quando ela percebe que ele não vai desistir dela é muito gratificante. O relacionamento de Willow com seu irmão é um pouco mais difícil, mas ainda assim bem escrito e desenvolvido.

Este livro demonstra uma profundidade e maturidade surpreendente. Apesar de inicialmente parecer ser um romance sobre a auto-mutilação, é muito mais do que isso, é sobre as maneiras pelas quais as pessoas lidam com as mudanças traumáticas, devastadoras e desafios, e o que isso significa para se abrir para alguém emocionalmente, e para tornar-se vulnerável ao fazê-lo, mas assim deixando que o outro ajude a superar a dor.

Willow é uma personagem madura, e embora ela faz suposições muito rapidamente e, muitas vezes é impulsiva, ela é real. Recomendo este livro para jovens, como um livro bem escrito e envolvente sobre como uma jovem lida com a depressão profunda. Uma história maravilhoso, altamente recomendado. No geral, Willow é uma história poderosa e emocional que vai deixar você refletindo.


1 comentários:

  1. Oi Michele :3

    Antes mesmo dele ser lançado eu estava com ele na minha lista de leitura, a temática chama muito minha atenção e não vejo a hora de lê-lo.
    Achei ótimo que a leitura tenha sido difícil, pq o ruim seria se o livro fosse sobre um tema tão pesado e tão mal escrito x-x

    Beijos
    ~nathália novikovas
    www.livroterapias.com

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