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[Resenha #640] A Menina que Contava Histórias - Jodi Picoult @Verus_Editora @editorarecord @jodipicoult


A Menina que Contava Histórias
Jodi Picoult
ISBN-13: 9788576863984
ISBN-10: 8576863987
Ano: 2015
Páginas: 490
Editora: Verus Editora
Skoob
Classificação: 5 estrelas
Compre: Saraiva


Neste romance, Jodi Picoult examina com elegância até onde estamos dispostos a ir para proteger nossa família e impedir o passado de governar o futuro. Sage Singer trabalha a noite toda, preparando pães e doces para o dia seguinte e tentando escapar de uma realidade de solidão, lembranças ruins e da sombra da morte de sua mãe. Quando Josef Weber, um idoso que participa do grupo de luto de Sage, passa a frequentar a padaria, eles começam uma amizade improvável. Apesar de suas diferenças, ambos enxergam um no outro as cicatrizes ocultas que as demais pessoas não veem. Tudo muda no dia em que Josef confessa um segredo vergonhoso e há muito enterrado — ele foi membro da SS na Alemanha nazista — e pede a Sage um favor impensável: que ela o ajude a morrer. O que ele não sabe é que a avó de Sage é uma sobrevivente do Holocausto... ou será que sabe? Se Sage concordar em fazer o que Josef pediu, enfrentará não apenas repercussões morais, mas talvez também legais. Com a integridade de seu amigo mais próximo manchada, ela começa a questionar suas suposições e expectativas sobre a vida e a própria família.



O romance começa com a personagem Sage Singer, uma jovem solitária marcada com uma cicatriz no rosto e pela morte de seu pai e da recente perda de sua mãe. As irmãs a culpam pela morte de sua mãe. Ela herdou do pai uma padaria, e trabalha durante o turno da noite para fugir do convívio das pessoas. Mesmo após três anos, ela ainda chora a perda da mãe, e a cicatriz em seu rosto a faz se sentir um monstro.




Para tentar lidar com seus problemas, Sage começa a frequentar um grupo de luto, são pessoas que perderam alguém e tentam buscar forças um no outro para continuar a viver. Lá Sage faz amizade com um senhor de 90 e poucos anos, professor de alemão aposentado chamado, Josef Weber. Ele começa a ir com frequência lhe ver em sua padaria. A amizade é testada, no entanto, quando um dia Josef pede um favor - para matá-lo. Sage fica chocada quando Josef, um cidadão íntegro e muito querido na comunidade, confessa crimes horríveis que cometeu durante a Segunda Guerra Mundial como oficial da SS no campo de concentração de Auschwitz. Assombrado por essas memórias ele diz que merece morrer. Mas, se ela fizer isso irá afetar não somente ela, como sua família e amigos, além de ter que encarar com as barreiras éticas e morais. O que será que Sage vai fazer?



A avó de Sage, Minka, é uma sobrevivente do Holocausto que nunca falou para sua família sobre as coisas que ela teve de suportar como uma jovem durante a guerra. Enviada com sua família para o gueto de Lodz e depois Auschwitz, Minka foi a única da família a sobreviver para ver a libertação dos campos de concentração pelos aliados no final da Segunda Guerra Mundial. Quando Sage envolve um agente federal que está investigando crimes de guerra, Minka deve confrontar seu passado mais uma vez.



Leo Stein, é um agente do Departamento de Justiça dos EUA que investiga e às vezes é capaz de condenar nazistas agora idosos, torna-se o interesse amoroso de Sage, bem como um caçador de nazistas. Há discussões filosóficas entre Sage e Josef sobre a natureza da culpa, sobre o perdão, sobre o assassinato, e a vingança.



Jodi Picoult apresenta a história de Minka de forma incisiva. Picoult mostra que não existem respostas fáceis. A história tece narrativas de todos os personagens envolvidos, incluindo um personagem fictício que desempenhou um papel crucial na sobrevivência de Minka e fornece uma espécie de fábula que ajudou Minka a fazer sentido dos terríveis eventos que ela teve de suportar.


Jodi Picoult criou uma história que explora vários dilemas morais e éticos fundamentais decorrentes da condição humana. Há crimes tão horríveis que nunca poderão ser perdoados, mesmo se a pessoa tem mostrado remorso e tentou se redimir? É justiça tirar uma vida por uma outra vida, ou é um assassinato? O mal é inerente, ou pode ser criado pelo ambiente em que vivemos? Jodi Picoult aborda essas questões com sensibilidade e coragem.


As descrições de Picoult da vida no gueto de Lodz e Auschwitz foram vívidos e, portanto, muitas vezes horrível. A autora mexe com emoções fortes e convida o leitor a explorar os temas expostos na história, onde não há respostas fáceis. Ela deu à Josef Weber uma voz  muito corajosa, e isso mostra que há um lado humano, mesmo para pessoas que podem parecer como monstros devido aos crimes hediondos que cometeram. Ao mesmo tempo, Picoult não dá desculpas, nem julga - em vez disso, o tema é explorado de diversas maneiras.

A capa é linda, e a diagramação está ótima, e a tradução e revisão estão excelentes!



Os temas da justiça versus retribuição, perdão versus ódio e os laços do passado para as gerações futuras são temas que ficaram comigo depois de terminar este livro. Não tem como não ficar espantado com a capacidade de resistência e atitude positiva após essa tragédia, e a capacidade de muitos para perdoar seus agressores. Eu tiro meu chapéu para Picoult por ser capaz de criar uma personagem autêntica, como Minka, que reflete isso perfeitamente. Com Minka, ela dá voz a muitos sobreviventes do Holocausto, certificando-se que essa parte da história não seja esquecida, enquanto inspira o leitor a pensar por si mesmos. Um livro que todos devem ler!


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