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[Resenha #723] Circo Invisível - Jennifer Egan @intrinseca


Circo Invisível
Jennifer Egan
ISBN-13: 9788580576696
ISBN-10: 8580576695
Ano: 2015
Páginas: 320
Editora: Intrínseca
Skoob
Classificação: 4 estrelas
Compre: Submarino

Sinopse:
Primeiro romance da premiada autora Jennifer Egan, O Circo invisível se passa em 1978, tomando as tensões e os dramas políticos dos anos 1960 como cenário da história de Phoebe O’Connor, uma adolescente de 18 anos obcecada pela memória da irmã, Faith, hippie, bela e idealista que morreu em 1970, na Itália.
Com a intenção de descobrir a verdade sobre a vida e a morte de Faith, Phoebe sai de São Francisco e atravessa o Atlântico para refazer o caminho da irmã pela Europa. A busca gera revelações complexas e inquietantes sobre família, amor e uma geração inteira de jovens perdida. Uma estreia literária surpreendente e elaborada, prenúncio da habilidade extraordinária de Egan em criar suspenses bem-amarrados, marcados por personagens profundos e nuances de emoção – talento que lhe rendeu em 2011 o Prêmio Pulitzer de Ficção pelo livro A visita cruel do tempo.



    Circo Invisível é um livro sobre descobertas. Essa é uma leitura que nos deixa tensos, como se algo ruim estivesse prestes a acontecer. O livro tem um clima melancólico do início ao fim. É um livro para ser lido sem pressa, pois é denso e cheio de conteúdo.



    Phoebe tem 18 anos e leva uma vida tranquila em São Francisco. Basicamente, ela trabalha, assiste televisão com sua mãe, Gail, e passa boa parte do tempo pensando na irmã, Faith, que morreu aos 17 anos, oito anos atrás, quando Phoebe tinha apenas 10 anos de idade.

“Por mais que Phoebe tentasse preencher a lacuna entre ela e Faith, sempre havia alguma diferença. Mas um dia essa lacuna desapareceria, ela acreditava, como parte de uma transformação maior pela qual Phoebe estava constantemente esperando.” p. 19



Faith era uma jovem impulsiva, inconsequente, sempre querendo o máximo que a vida poderia lhe dar e, justamente por isso, Faith parecia fascinar as pessoas a sua volta. Era a filha preferida do pai, Gene, que estava sempre deixando de lado os outros dois filhos, Phoebe e seu irmão mais velho, Barry, que se tornou um empresário milionário. Essa preferência explícita causava certo incômodo nos irmãos de Faith e também em sua mãe.


“Se Phoebe conseguisse calcular as horas que passara pensando nesse fato, certamente somariam anos.” p. 23


Os personagens coadjuvantes também são muito bem explorados. Barry, ao contrário de Phoebe, está sempre olhando em frente, para o futuro. Gene, o pai, que, frustrado em sua vida artística, encontra em Faith a inspiração para suas pinturas e que frustra os outros filhos ao direcionar toda a sua atenção para a menina.


“Ao lado dos registros vívidos da infância de sua irmã, a própria existência de Phoebe parecia indefinida, e isso a confundia e enfurecia.” p. 44

Faith morreu no dia 21 de novembro de 1970, em Corniglia, na Itália, durante uma viagem com o namorado, Wolf. Phoebe ainda guarda os cartões-postais que a irmã mandava dos lugares por onde passava. A verdade é que a caçula nunca conseguiu entender o que realmente aconteceu com a irmã e, após uma briga com a mãe e um encontro inesperado, Phoebe decide partir para a Europa e refazer os passos da irmã.


“[...] ali estava o mundo dos acontecimentos, um lugar que ela conhecia apenas por fotografias, por matérias de jornal. Da noite para o dia ela tinha chegado a ele. [...] Este é o mundo real e estou me sentindo totalmente viva, pela primeira vez na história.” p. 111

No entanto, nem mesmo Phoebe poderia estar preparada para tudo o que ela encontrou em sua viagem. Descobertas inimagináveis, reencontros e, principalmente, autoconhecimento. Em um roteiro que inclui Londres, Amsterdã, Paris e Munique, a garota se vê diante dos mesmos lugares em que sua irmã esteve, oito anos atrás.




Phoebe era muito nova quando a irmã morreu e isso faz com que ela veja a irmã como algo sagrado, magistral. Phoebe não se permitiu viver plenamente desde a morte da irmã, inclusive, impedindo que sua mãe seguisse sua vida também. Apesar de ser irritante em certos momentos, Phoebe é imperfeita de uma forma tão bem elaborada que isso só a tornou mais real e palpável.


“O problema é que, se você faz uma coisa louca durante muito tempo, aquilo começa a parecer normal. Para manter a sensação, você tem que ir mais e mais longe, e Faith não tinha problemas com isso.” p. 184-185


O livro é dividido em quatro partes. Cada parte foca-se em um momento específico, como um estágio da vida de Phoebe. Achei a divisão bastante coerente. Ao longo de todo o livro, temos flashbacks, onde voltamos ao tempo de infância de Phoebe e descobrimos mais sobre sua família, especialmente sobre Faith e Gene.


A narrativa é feita em terceira pessoa e eu achei que não fluiu com facilidade. O livro parece se estender além do necessário. Além disso, os capítulos são longos, o que tornou a leitura um tanto quanto cansativa. A diagramação está perfeita.



A capa é muito bonita e está diretamente relacionada com a história. Inclusive, as cores e a obscuridade presentes na capa deixam visível o clima da leitura, sombria e densa. Esse é o primeiro livro que eu leio da autora e a leitura me agradou. No entanto, infelizmente, não considero como um livro cinco estrelas, pois achei a leitura um pouco maçante.

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