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[Resenha #812] Mulheres de Cinzas - Mia Couto @cialetras





Mulheres de Cinzas
Trilogia As Areias do Imperador # 1
Mia Couto
ISBN-13: 9788535926620
ISBN-10: 8535926623
Ano: 2015
Páginas: 344
Editora: Companhia das Letras
Skoob
Classificação: 3 estrelas


Primeiro livro da trilogia As areias do Imperador, Mulheres de cinzas é um romance histórico sobre a época em que o sul de Moçambique era governado por Ngungunyane, o último grande líder do Estado de Gaza. Em fins do século XIX, o sargento português Germano de Melo foi enviado ao vilarejo de Nkokolani para participar da batalha contra o imperador que ameaçava o domínio colonial. Lá, ele encontra Imani, uma garota local de quinze anos que lhe servirá de intérprete. Enquanto um dos irmãos da menina lutava pela coroa de Portugal, o outro se uniu aos guerreiros tribais. Aos poucos, Germano e Imani se envolvem, apesar de todas as diferenças entre seus mundos. Porém, num país assombrado pela guerra dos homens, a única saída para uma mulher é passar desapercebida, como se fosse feita de sombras ou de cinzas.



Quando me foi passado o catálogo dos livros da Companhia das Letras, fiquei meio perdida querendo vários, kkkkkkkkkkkkkkkkkk, mas dentre tantos uma título me chamou atenção: Mulheres de Cinza.


Sou uma mulher que vive a filosofia do Sagrado Feminino, e de cara e pela sinopse, fiquei pensando quais emoções o livro em traria.
Mulheres  De Cinza não foi uma leitura fácil para mim, é um romance histórico que retrata a época em que Moçambique vivia uma ‘guerra’, e sabemos que em guerra duas pessoas perecem mais: criança e mulheres.


Como protagonista temos Inami, uma jovem negra, no auge dos seus 15 anos, que ainda não tem um marido e nem filhos, o que a faz ser vista como ‘torto’. Ela e sua família moram na aldeia Nkokolani, seus pais são sofridos e a época sugere que sejam. Perderam suas outras duas filhas, seus filhos; um foi para a guerra e outro sumiu, só sobrando Inami em casa. À ela coube cuidar deles, até que uma noite em que seu pai e sua mãe discutem, ele sai e vai para uma terra sagrada. A Inami cabe à função de ir busca-o e leva-lo embora. Um parêntese: A mãe de Inami manda que ela vá buscar o pai e leve o vinho junto, para ele se embebedar, mesmo sabendo eu ele ficará violento; porque esse é o que se espera que o marido faça: Beba e bata na esposa.
 

Foi na volta que eles foram surpreendidos por uns soldados do ditador Ngonyamo, e em meio à discussão, os soldados levarem a pior eles soltam um rumor de da próxima vez que voltarem poderem levar Inami para servir como uma das virgens do ditador. A partir daí a leitura ficou tensa para mim, e não foi fácil acompanhar Inami, porque se a palavra da moda é Sororidade, é impossível não senti-la.

Ao mesmo tempo em que temos a estória de Inami, temos também a estória do sargento Germano. Ele foi mandado para a área de guerra em nome da coroa Portuguesa. Sobre o sargento posso dizer que ele é um soldado que foi para a guerra, mas que ‘nem sabe’ porque está ali. Ele é contra tudo que se passa, e não consegue pensar em lutar pela coroa. E é quando ele encontra Inami que a guerra passa a fazer sentido para ele.


Mulheres de Cinza é uma leitura fácil? Não, para mim por “N” motivos. Ele intercala entre um capítulo sendo narrado por Inami e outro por sargento Germano, então tem que se ter muita atenção ao ler.
 

Esse é o primeiro livro de uma Trilogia de Mia Couto que se chama “As areias do Imperador”. Aconselho muito a leitura, mas se a pessoa for empática ao sofrimento das mulheres na guerra, mas também a força que elas demonstram ter, fica impossível não se envolver.
 

Quanto à diagramação, o que dizer? Perfeita. A imagem de capa é super enigmática, até lermos os livros, e ela tem uma textura como se fosse emborrachada. Apaixonei.

O miolo tem folhas amarelas e letras em um tamanho ótimo, o que para uma ‘cegueta’ como eu é o sonho de consumo na leitura.
Eu estou bem doida pelo lançamento do segundo livro e descobrir o que mais me aguarda.

“A diferença entre a Guerra e a Paz é a seguinte: na Guerra, os pobres são os primeiros a serem mortos; na Paz, os pobres são os primeiros a morrer. Para nós, mulheres, há ainda uma outra diferença: na Guerra, passamos a ser violadas por quem não conhecemos." Mia Couto

1 comentários:

  1. Pena a leitura não ter te motivado. Infelizmente também não é o meu estilo de leitura. Um grande abraço!

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