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[Resenha #854] O Papel de Parede Amarelo - Charlotte Perkins Gilman @editorarecord


O Papel de Parede Amarelo
Um clássico da literatura feminista
Charlotte Perkins Gilman
ISBN-13: 9788503012720
ISBN-10: 8503012723
Ano: 2016
Páginas: 112
Idioma: português
Editora: José Olympio
Classificação: 5 estrelas
Skoob
Comprar: Submarino


Sinopse: Uma mulher fragilizada emocionalmente é internada, pelo próprio marido, em uma espécie de retiro terapêutico em um quarto revestido por um obscuro e assustador papel de parede amarelo. Por anos, desde a sua publicação, o livro foi considerado um assustador conto de terror, com diversas adaptações para o cinema, a última em 2012. No entanto, devido a trajetória da autora e a novas releitura, é hoje considerado um relato pungente sobre o processo de enlouquecimento de uma mulher devido à maneira infantilizada e machista com que era tratada pela família e pela sociedade.



O Papel de Parede Amarelo foi lançado inicialmente em 1891, mas só foi publicado tempos depois. A narrativa é toda feita em 1ª pessoa, em forma de um diário por uma mulher que sofre distúrbios psicológicos que segundo seu esposo, por sinal médico é diagnosticada como uma “ligeira tendência histérica” e prescreve como tratamento para sua esposa repouso.





Para ele histeria não podia ser caracterizada como uma enfermidade que merecesse credibilidade, sendo mais uma forma de fraqueza, que deixava a pessoa passando por dificuldades comportamentais, mas que com o tempo essas dificuldades seriam sanadas.


Ele a encaminha para uma casa de campo, afastada da cidade para que ela possa descansar e curar seus males. Infelizmente naquele século depressão ainda não tinha um diagnostico preciso, pois no decorrer da leitura o que realmente deixa transparecer é que ela sofria de depressão.


[...] Há algo estranho nesta casa, posso sentir. Cheguei a falar sobre isso com John, numa noite de lua, mas ele disse que o que eu estava sentindo era uma corrente de ar, e fechou a janela, Às vezes tenho uma raiva irracional de John. Acho que isso tem a ver com meus nervos. Mas John diz que, se me sinto assim, acabarei perdendo o controle - portanto, faço um esforço para me conter, ao menos diante dele, e isso me deixa muito cansada [...].

Ela passa muito tempo sozinha no quarto, sem os devidos cuidados e sua única companhia era apenas um papel de parede amarelo com um padrão de arabescos caóticos. Ela começa a escrever em seu diário secreto onde narra seu dia a dia de maneira sucinta tornando a leitura bastante fluída. 



A mulher chega a implorar para ir embora dali, mas seu marido resoluto nega todos os seus pedidos, afinal ele tinha gasto muito dinheiro para coloca-la ali. Conforme a narrativa vai se desenvolvendo sua condição de saúde vai piorando e ela começa a demonstrar um interesse obsessivo por esse papel de parede, onde ela passa dias estudando seus padrões. 


Por fim, seu esposo John tenta dissuadi-la a sair da casa, mas ela se nega, se tranca no quarto, único local onde ela se sente verdadeiramente segura até que finalmente ela acaba enlouquecendo, após tentar desvendar todos os arabescos contidos naquele papel.


[...] É do amarelo mais estranho, esse papel de parede! Me faz lembrar de todas as coisas amarelas que eu já vi - não coisa lindas como botões-de-ouro, mas ouro envelhecido, e péssimas coisas amarelas. Mas tem algo de errado nesse papel de parede - o cheiro!... A única coisa que eu posso pensar sobre isso é que é a cor do papel de parede! Um cheiro amarelo [...].



O Papel de Parede Amarelo é uma narrativa realmente vigorosa, e nos arrasta irrevogavelmente ao total colapso mental da mulher. Teve momentos que me vi completamente transtornada pela situação impiedosa pela qual ela foi submetida.
A capa tem tudo a ver com a obra, fonte e diagramação impecáveis. Leitura recomendada para quem deseja experimentar uma narrativa enérgica e verdadeira.


2 comentários:

  1. Nunca liguei muito para esse livro porque a capa não me atraiu muito, mas parece ser incrível!

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  2. Eu gostei bastante do livro, conseguiu transmitir muito bem como era a vida das mulheres daquele século, o prefácio também é sensacional, ajuda a contextualizar a história. :) Beijos!

    Colorindo Nuvens

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