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[Resenha #860] Quarto - Emma Donoghue @EDonoghueWriter @Verus_Editora


Quarto
Emma Donoghue
ISBN-10: 8576861313
ISBN-13: 978-8576861317
Páginas 350
Ano: 2016
Editora: Verus
Idioma: Português
Classificação: 5 estrelas
Skoob
Compre: Submarino

Sinopse:
Para Jack, um esperto menino de 5 anos, o quarto é o único mundo que conhece. É onde ele nasceu e cresceu, e onde vive com sua mãe, enquanto eles aprendem, leem, comem, dormem e brincam. À noite, sua mãe o fecha em segurança no guarda-roupa, onde ele deve estar dormindo quando o velho Nick vem visitá-la. O quarto é a casa de Jack, mas, para sua mãe, é a prisão onde o velho Nick a mantém há sete anos. Com determinação, criatividade e um imenso amor maternal, a mãe criou ali uma vida para Jack. Mas ela sabe que isso não é suficiente, para nenhum dos dois. Então, ela elabora um ousado plano de fuga, que conta com a bravura de seu filho e com uma boa dose de sorte. O que ela não percebe, porém, é como está despreparada para fazer o plano funcionar.


Resenha:

Demorei a realizar essa resenha simplesmente pela magnitude dessa obra. Me tocou de maneira profunda e passei dias tentando uma maneira eficiente de transmitir essa emoção que senti para vocês. Primeiramente quero que vocês fechem os olhos e imaginem como seria passar sete anos de suas vidas presos em um quarto... Assustador, angustiante, incapacitante? Pois foi nesse ambiente inóspito que Jack de apenas cinco anos de idade viveu com sua mãe.




A mãe de Jack foi sequestrada quando tinha 19 anos, e seu sequestrador, um homem a quem eles se referem como Velho Nick, á trancafiou em um quarto em seu quintal. Depois de alguns anos sendo abusada ela ficou grávida de Jack, a quem ela sempre tentou manter protegido do Velho Nick. 


Quando Jack nasceu ela decidiu nunca explicar a situação para ele. Como resultado ele não sabe nada do que está acontecendo e passou esses cinco anos vivendo com sua mãe em um quarto e banheiro contendo o mínimo para sobreviverem. O que Jack realmente sabe, é que todas as noites, depois que ele vai dormir no guarda-roupa o Velho Nick traz comida, se deita na cama junto com sua Mãe, e depois vai embora. O Velho Nick embora sendo o pai de Jack, não possuía nenhuma espécie de contato com o mesmo, sendo esta a única condição que a Mãe impôs ao seu carcereiro.


[...] Nada assusta a Mãe. Menos o Velho Nick, talvez. Quase sempre ela só o chama de ele, eu nem sabia o nome pra ele até ver um desenho sobre um cara que chega de noite, chamado Velho Nick. Eu dou esse nome pro de verdade porque ele vem de noite, mas ele não parece o cara da TV, que tem barba e chifres e outras coisas [...]

Assim, Quarto é narrado de maneira brilhante por Jack, um garotinho feliz que vive dos parcos livros de história que possui, da rotina que sua Mãe passou seus cinco anos se esforçando de maneira que ele fosse estimulado e seu tempo preenchido de maneira lúdica, preservando no processo sua sanidade física e mental. Uma mãe que mesmo sendo mantida sete anos presa, não perdeu o amor e a esperança de ver seu filho bem.


[...] É esquisito ter uma coisa que é minha e não é da Mãe. O resto tudo é de nós dois. Acho que meu corpo é meu, e as ideias que acontecem na minha cabeça. Mas as minhas células são feitas de células dela, quer dizer que eu sou meio dela. E também, quando eu digo pra ela o que estou pensando e ela diz pra mim o que está pensando, nossas ideias de cada um pulam na cabeça do outro, que nem lápis de cera azul em cima do amarelo, que dá verde [...].

Com transparência e fidedignidade vamos conhecendo Jack, a Mãe e a perversidade do Velho Nick e no decorrer da narrativa nos emocionamos com a execução de um plano que se prevalecerá da inteligência de Jack para que a liberdade seja alcançada.


[...] Dissemos o plano uma porção de vezes, para eu treinar os nove. Morto, Picape, Sair Rastejando, Pular, Correr, Alguém, Bilhete, Polícia, Maçarico [...].

Emma Donoghue criou uma história única, pois ao escrever, usando Jack como narrador, usou de uma linguagem puramente pueril para apresentar sequestro, estupro, encarceramento de maneira que o terror da situação era palpável, mas a delicadeza da narrativa deixava aqueles momentos mais leves. É indescritível você conseguir captar sobre a uma linha da inocência todos os momentos impostos de sofrimento, fúria e impotência a qual eles foram subjugados. Foi dilacerante ver o amor incondicional de uma mãe molestada física e emocionalmente, se manter lúcida pelo único propósito de ver seu filho bem e trazer vida, alegria e conforto aos olhos do pequeno Jack, de usar o tempo a favor de ensinamentos, brincadeiras e muita imaginação na tentativa de que ele tenha uma vida normal.

[...] Antes eu nem sabia ficar com raiva porque não podemos abrir a Porta, a minha cabeça era pequena demais para o Lá Fora caber nela. Quando eu era pequeno, eu pensava feito uma criança pequena, mas agora que tenho cinco anos eu sei tudo [...].

Uma leitura crua e audaciosa que te faz pensar na maldade do coração humano e no amor incondicional de uma mãe por seu filho. A capa é simples e delicada, a fonte e diagramação seguem essa linha mais clean, as folhas são em papel pólen e o livro não possui aquela divisão tradicional em capítulos, tudo se passa em cinco partes. Recomendo a leitura para todos os apaixonados pelo gênero e... Preparem os lencinhos e o coração!


2 comentários:

  1. Gostei demais do filme! pretendo ler o livro :)

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  2. Uau, que resenha. Li esse livro ano passado, e volta e meia me vem as palavras do Jack para as coisas mais simples da vida, que nos passam despercebida a todo instante. Gostei das fotos do livro que ilustram suas palavras, um convite a quem não leu. Sobre a capa, acho que ela remete ao desenho nas portas do quarto do Jack e da Mãe, quando eles passaram a dividir o apartamento na "vida independente". Um abraço.

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