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[Resenha #865] À Sombra da Figueira – Vaddey Ratner @geracaobooks @VaddeyRatner


À Sombra da Figueira
Vaddey Ratner
ISBN-13: 9788581302539
ISBN-10: 858130253X
Ano: 2015
Páginas: 360
Editora: Geração Editorial
Classificação: 4 estrelas
Skoob
Compre: Submarino

Sinopse:
Para a menina Raami, de sete anos de idade, o fim abrupto e trágico da infância começa com os passos de seu pai voltando para casa na madrugada, trazendo detalhes da guerra civil que invadiu as ruas de Phnom Pehn, a capital do Cambódia. Logo o mundo privilegiado da família real é misturado ao caos da revolução e ao êxodus forçado. Nos quatro anos seguintes, enquanto o Khmer Rouge tenta tirar da população qualquer traço de sua identidade individual, Raami se apega aos únicos vestígios de sua infância — lendas míticas e poemas contados a ela pelo seu pai. Em um clima de violência sistemática em que a lembrança é uma doença e a justificativa para execução sumária, Raami luta pela sua sobrevivência improvável. Apoiada no dom extraordinário da autora pela linguagem, À Sombra da Figueira é uma história brilhantemente intricada sobre a resiliência humana. Finalista do Prêmio PEN Hemingway este livro vai levá-lo às profundezas do desespero e mostrar horrores abomináveis. Vai revelar uma cultura maravilhosamente rica, lutando para sobreviver através de pequenos gestos. Vai fazer com que jamais sejam esquecidas as atrocidades cometidas pelo regime Khmer Rouge. Vai lhe encher de esperança e confirmar o poder que há ao se contar uma história de nos elevar e nos ajudar não somente a sobreviver, mas à transcendência do sofrimento, da crueldade e da perda.



Raami é uma menina de 7 anos, delicada, alegre e apaixonada por sua grande família. Porém, a família de Raami não é uma família qualquer. Afinal, seu pai é um príncipe, mas, infelizmente, isso não os salvará do que está por vir: um exército de jovens está encarregado de evacuar a cidade de Phnom Pehn, levando todos para áreas rurais, com o objetivo de criar um país sob um regime comunista agrário.


“... esses não são os mesmos homens com quem você estudou filosofia, história e literatura na França. Não são as pessoas cujas lutas e aspirações diárias você tentou captar e transmitir em sua poesia. São crianças que receberam armas. Poder além de sua idade.” p. 60

    Uma menina de apenas sete anos de idade que precisa lidar com momentos totalmente fora do comum, perdas e dificuldades, e ela faz isso de forma madura e, ao mesmo tempo, um tanto fantasiosa. É triste e encantador ao mesmo tempo.



    Para quem não sabe, esse episódio realmente aconteceu e a autora do livro, Vaddey Ratner, passou por isso. Portanto, trata-se de uma história que mistura realidade e ficção, e o resultado foi uma combinação belíssima que nos mostra o lado feio e o lado belo da humanidade.


    Um dos pontos fortes do livro, em minha opinião, foi mostrar uma cultura totalmente diferente. Eu não conhecia quase nada sobre o Camboja e não sabia nada sobre esse período. Então, eu adorei conhecer mais sobre a história desse lugar tão belo e com uma cultura tão rica.

 
    Eu recomendo o livro, pois acho que, além de ser uma história muito bonita, é importante conhecermos mais o mundo em que vivemos. Além disso, a minha dica é: pesquise na internet sobre a história do Camboja. Eu fiz isso e me surpreendi com tudo o que descobri.


“Ninguém sai desta área. Fugitivos serão mortos. Se alguém tentar fugir, toda sua família será morta. Vocês não vão confraternizar com os moradores. Nós decidiremos com quem falarão e aonde irão. Se desobedecerem, morrem.” p. 69



    A evacuação acontece logo no início do livro e, por isso, quase não temos a chance de conhecer a vida de Raami e sua família antes desse acontecimento. Mesmo assim, o pouco que lemos já nos deixa com uma sensação de perda, como se algo puro e inocente tivesse sido arrancado de nós, dando lugar a algo mal e triste. Raami deve ter se sentido exatamente assim quando foi arrancada às pressas de sua casa para viver com medo, com fome e sem nenhuma segurança.


    O livro possui um ritmo bastante lento, o que me incomodou um pouco, mas, acho que isso ajudou a complementar a atmosfera densa da história. A narrativa de Raami, feita em primeira pessoa, é tão vívida que parece nos transportar para onde ela está.

“O problema de ter sete anos, e me lembro de mim mesma nessa idade, é que você tem consciência de tudo, e entende tão pouco... Então, imagina o pior.” p. 110

    Outro ponto importante no livro é que Raami teve poliomielite e, por isso, possui algumas limitações físicas. Essas limitações a incomodam e é tocante ver como uma criança lida com isso todos os dias.


“Sabe por que lhe conto histórias, Raami? Quando pensei que você não poderia andar, queria ter certeza de que pudesse voar. Eu lhe contava histórias para lhe dar asas, Raami, assim você nunca seria presa por nada; nem seu nome, seu título, os limites de seu corpo, o sofrimento deste mundo.” p. 154

É impossível falar de à Sombra da Figueira sem mencionar a capa que é absurdamente linda. As cores da capa parecem querer refletir o clima quente do Camboja e a textura aveludada reforça ainda mais essa sensação.

    Todo o sofrimento, a dor e a injustiça narrados no livro são suavizados pelo olhar sonhador e poético que Raami dirige ao mundo à sua volta. E isso deu ao livro um toque único, o diferenciando de outros livros que narram episódios chocantes do mundo.




1 comentários:

  1. Vi esse livro na livraria um dia... fiquei encantada com a capa e com a sinopse, pretendo ler! gostei da resenha... bjs

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