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[Resenha #934] Depois a louca sou eu - Tati Bernardi @cialetras


Depois a louca sou eu
Tati Bernardi
ISBN-13: 9788535926576
ISBN-10: 8535926577
Ano: 2016
Páginas: 144
Idioma: português
Editora: Companhia das Letras
Skoob
Classificação: 3 estrelas
Compre: Saraiva


Sinopse:
Em Depois a louca sou eu, Tati Bernardi escreve sobre a ansiedade com um estilo escrachado, ágil, inteligente e confessional. As crises de pânico, a mania de organização, os remédios tarja-preta e os efeitos da ansiedade em sua vida aparecem sob o filtro de uma cabeça fervilhante de pensamentos, mãos trêmulas, falta de ar e, sobretudo, humor. Tati consegue falar de um tema complicado, provocar gargalhadas e ainda manter o pacto de seriedade com o leitor. A capacidade de rir de si mesma confere a tudo isso distância, graça e humanidade. Depois a louca sou eu é a entrada em cena de uma escritora que ombreia com os melhores da nova literatura brasileira.



Estou com raiva de mim. Sim, eu queria ter dado mais que três meras estrelinhas pra Tati Bernardi que já me definiu em tantas frases, e escreveu tantas histórias que eu gosto, mas infelizmente não foi o que aconteceu com esse livro. 


Vou dizer que eu esperava uma coisa totalmente diferente do que foi apresentado e até me surpreendi um pouco com a sinceridade da Tati em seus textos porém não imagina como todas as crises eram difíceis pra ela. Bate uma deprê leve quando você começa a ler o livro sério. A Tati começa a falar de ansiedade, nervoso de uma forma bem intensa e o que era pra ser um livro divertido com textos carismáticos acabou se tornando um deja vu de fases ruins e complicadas da vida da autora. Ressaltando as ânsias, síndromes e depressões tratadas com remédios ela expõe durante os textos os efeitos dessas sensação nela mesma. 

Me apresentei: “sei exatamente que merda é essa”. Apresentei o Rivotril: “você vai melhorar em poucos minutos”. Ela disse que não tomava nada “que os outros lhe dessem” e sem receita. Ainda era grossa, a maluca. Eu descartei um sublingual, dei na mão dela e lancei o mistério: “não precisa tomar, às vezes só de ter ele por perto eu já fico bem”. Voltei para o meu assento e fiquei observando. Marido, aeromoça e passageiros ao redor da menina começaram a fazer um coro: “toma, eu já tomei”. Toma, eu já tomei. Não é legal ter alguém surtando do nosso lado, lembrando que todos têm motivo para enlouquecer e que apenas os mais sãos de fato dão voz a isso. E ela tomou. E capotou em estado de graça cinco minutos depois. Como uma criança que relaxa sugando o seio da mãe depois de várias mamadeiras azedas. A garota tinha voltado para casa. O marido dela sorria tanto para mim que temi “estar rolando um lance entre nós”. Achei que era Rivotril e era só amor. Sempre. (Pág.28)






    Aos quatro anos eu tinha medo do número 5. Você faz dois tracinhos bem retinhos e “na deles”, e então vem, em total descontrole e audácia, uma barriga bem metida botando um fim na calmaria. Essa junção de formas intensamente díspares me emocionava tanto que eu travava. Eu achava bem doido o número 5. Desenhar o 5 “por aí”, tendo menos de cinco anos, era como fumar crack às escondidas dos meus pais. (Pág 39)

 Por um lado, Tati sempre teve um jeito mais descolado e engraçado pra descrever as situações cotidianas, mas nesse livro ela sinceramente descrever todas as dificuldades que teve passar por conta de suas ânsias e vontades.  Envolvida em um mundo de manias, de crises de síndrome do pânico, vícios e remédios tarjas pretas muitos podem não entender a atitude da autora em colocar tudo isso em textos. Quem conhece, ou passa pelo mesmo pode até se identificar com as sensações descritas no livro, porém eu achei meio complicado falar de situações complexas e intensas como ela mesma descreve no livro e ainda sim rir disso. Em um misto de sinceridade pura onde a autora tenta descrever tudo ainda com um certo humor, a autora nos envolve com certos sentimentos e situações reais de sua vida. Talvez eu não tenha gostado mais do livro da Tati por não ter me identificado tanto quanto gostaria e também por ter esperado algo completamente diferente do que foi apresentado. Muitos se enganam se pensam que Tati se faz de vítima, muitas vezes a mesma se sente culpada, frágil e uma louca incompreensível. 
        Estou livre, só por hoje, das listas mentais de tudo o que precisa estar certo e limpo e enquadrado. Eu que não bebo porque não gosto e porque não quero, misturo cerveja com vinho. Como maionese com sangue com manteiga com saliva de alguém que me devolve um copo que nem era meu. Chupo o restinho de batom numa bituca empretecida. Completamente desprovida de “regras para um sábado”, experimento a tarde como se enfim pertencesse ao grupo de jovens normais que curtem porque assim é que se faz e ponto final. (pág. 75)



Mas além de tudo Tati mostra que apesar de ser uma autora, roteirista e escritora famosa, mostra que é humana como todo mundo, que passa por crises e dificuldades e que tem problemas sérios como quase todo mundo. Vou confessar que em alguns momentos da leitura, me senti um pouquinho entediada já que ficava sem compreender muito bem as coisas. Conforme os textos foram avançando compreendi melhor as situações da Tati e como seus momentos de confusão tiravam sua lucidez e a intensificavam na dependência de remédios principalmente o Rivotril. Dá pra ver o outro lado da história e que as coisas são muito diferentes do que as pessoas acham que veem ou acham que conhecem. 





É um livro sincero, diferente e meio louco sim, mas quem não se achou louca uma vez na vida? Apesar de ter esperado mais, não posso desconsiderar o talento da Tati, o jeito incrível de desenvolver seus textos e ainda conseguir transmiti-los com um certo humor. Depois a louca sou eu não é ótimo, mas é uma boa leitura para quem quer saber o outro lado das coisas e também pensar em algumas coisinhas.



1 comentários:

  1. Que pena que você não tenha se identificado com o livro. Eu quero muito lê-lo.

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