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[Resenha #986] O Pintassilgo - Donna Tartt @ciadeletras @DonnaTartt


O Pintassilgo
Donna Tartt
ISBN-13: 9788535924688
ISBN-10: 853592468X
Ano: 2014
Páginas: 721
Idioma: português
Editora: Companhia das Letras
Skoob
Classificação: 5 estrelas
Compre: Saraiva

Sinopse:
Theo Decker, um nova-iorquino de treze anos, sobrevive milagrosamente a um acidente que mata sua mãe. Abandonado pelo pai, Theo é levado pela família de um amigo rico. Desnorteado em seu novo e estranho apartamento na Park Avenue, perseguido por colegas de escola com quem não consegue se comunicar e, acima de tudo, atormentado pela ausência da mãe, Theo se apega a uma importante lembrança dela: uma pequena, misteriosa e cativante pintura que acabará por arrastá-lo ao submundo da arte.
Já adulto, Theo circula com desenvoltura entre os salões nobres e o empoeirado labirinto da loja de antiguidades onde trabalha. Apaixonado e em transe, ele será lançado ao centro de uma perigosa conspiração.
O pintassilgo é uma hipnotizante história de perda, obsessão e sobrevivência, um triunfo da prosa contemporânea que explora com rara sensibilidade as cruéis maquinações do destino.



Resenha:


Vencedor do Prêmio Pulitzer, O Pintassilgo é uma obra magistral.

O livro narra a estória de Theodore Decker, um garoto de 13 anos que perde a mãe durante um ataque a um museu em Nova York; ele foi um dos sobreviventes e foi durante este traumático evento que ele conheceu Welty e Pippa. Os poucos momentos que Theo passou com Welty foram suficientes para criar uma ligação especial entre os dois e para que o senhor desse ao garoto um anel e um endereço. Outro pertence que Theo levou consigo foi uma obra muito famosa, O Pintassilgo. Inocente na época, Theo só pôde pensar em como essa pintura era importante para sua mãe e que era uma boa oportunidade de tê-la para si. Com a morte da mãe, o pai ausente e o descaso dos avós, Theo se vê obrigado a buscar ajuda com um amigo de infância, Andy, até que o pai fosse localizado. Durante esse tempo ele cria um laço especial não só com a família Barbour, mas também com Hobie e Pippa.






Depois que o pai de Theo foi localizado ele passou a morar em Vegas. Lá é onde ele conhece Boris, um garoto russo que muda completamente a sua vida (e vice-versa). Com os pais ausentes e a nova influência de Boris, Theo entrou no destrutivo caminho das drogas e da bebida. Mas por falar no Boris, ele é um personagem muito cativante (apesar dos problemas que carrega consigo), com seu senso de humor inabalável e personalidade marcante. Bem, devido a eventos subsequentes, Theo se vê novamente desamparado e volta à NY, onde pede ajuda a Hobie. É a partir desse ponto que começa a nova fase da vida do Theo; ele passa a morar na casa de Hobie e posteriormente a trabalhar com ele, como sócio no antiquário. Mesmo depois de tanto tempo Theo ainda não conseguiu se desfazer da pintura e vive às custas do medo de ser descoberto; também vive às custas do seu vício pelas drogas.


“A pintura fez com que eu me sentisse menos mortal, menos ordinário. Era base e justificação, apoio e consistência. Era a pedra angular que tinha mantido toda a catedral de pé.”




Além disso, o seu amor, ou poderíamos dizer obsessão, pela Pippa é tão forte que ele não consegue encontrar o amor em outra pessoa. Theo é um homem sensível, marcado pela perda insuperável da mãe; seu estilo de vida auto destrutivo está sempre presente na sua personalidade.


“Tínhamos sido feitos um para o outro; havia uma precisão e uma mágica de sonho nisso indiscutível; a ideia dela enchia de luz cada canto da minha mente e inundava de brilho sótãos miraculosos que eu nem sabia que estavam lá, vistas que definitivamente não pareciam existir exceto em relação a ela.”




O livro descreve a jornada de Theo desde o momento que ele pega a pintura e todas as consequências desse ato. Mas é muito mais que uma história sobre um garoto, uma pintura e sua paixão pela arte. O livro retrata a experiência de um garoto e de um homem que se vê domado por dor, amor, insegurança, medo. Explana de forma magistral a fraqueza da essência humana, a auto descoberta, o poder do vínculo afetivo. É, dentre todas as coisas, uma obra de arte.

“Mas às vezes, inesperadamente, a dor me atingia em ondas que me deixavam sem ar; e, quando as ondas recuavam, eu me via olhando para os destroços repulsivos de um naufrágio, iluminados por uma luz tão lúcida, tão deprimente e tão vazia que eu mal conseguia lembrar que o mundo algum dia chegara a ser algo que não morte.”

“Um grande desgosto, e um que estou apenas começando a entender – não escolhemos nosso próprio coração. Não temos como nos forçar a querer o que é bom para nós ou o que é bom para outras pessoas. Não escolhemos ser as pessoas que somos.”

 A trama foi elegantemente escrita, porém de forma simples. É um livro bastante descritivo, denso e filosófico. Ainda assim, as personagens são bastante reais. Acredito que é um desses livros que deve ser lido mais de uma vez para que sejam captadas todas as nuances e ensinamentos que a estória nos traz. A capa do livro não poderia ser melhor e a revisão está perfeita. A Donna Tartt exibiu um grande talento com o Pintassilgo; é uma leitura prazerosa e que eu, com certeza, indico.



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