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[Resenha #1033] Como Procurar um Cachorro Perdido - Ann M. Martin @plataforma21_


Como Procurar um Cachorro Perdido
Ann M. Martin
ISBN-10: 8550700002
ISBN-13: 978-8550700007
Páginas: 228
Ano: 2016
Editora: Plataforma 21
Idioma: Português
Classificação: 2 estrelas
Skoob

Sinopse:
Rosa Howard tem quase 12 anos e é obcecada por regras, especialmente as da língua – um sintoma de seu diagnóstico de autismo. Nem todos entendem bem as obsessões de Rosa e tudo que a torna diferente. Suas professoras, as outras crianças e até mesmo seu pai – uma figura distante, apesar do convívio diário – têm muitas dificuldades em lidar com ela. Felizmente, seu querido tio Weldon e sua cachorra Poça estão sempre presentes. Porém, quando uma tempestade terrível atinge a cidade onde Rosa vive, Poça desaparece. Então precisará encontrar sua cachorra, mesmo que isso signifique quebrar sua rotina... Uma narrativa poderosa e emocionante, contada de forma brilhante através dos olhos de uma menina autista.



Resenha:

Rosa Howard está tentando encontrar seu lugar no mundo. Diagnosticada com autismo de auto desempenho, que algumas pessoas chamam de Síndrome de Asperger, vive sozinha com o pai, que trabalha na oficina J&R, e é muito próxima do seu tio Weldon, que a leva para escola e da escola para casa todos os dias.




A vida nem sempre é fácil; O pai de Rose passa a maior parte de seu tempo no bar Irlandês Sortudo, ela não tem muitos amigos, sua mãe a abandonou quando ela tinha dois anos e sua escola não possui suporte pedagógico para receber uma criança autista.


"Queria saber se minha mãe gosta de homônimos. Queria saber se ela gosta de números primos, de regras ou de palavras."



Como solução, sua escola fornece um acompanhante, a senhora Leibler, que despreparada não sabe como lidar com Rosa, suas inseguranças ou estereotipias, fornecendo como saída a seus ataques de ansiedade o corredor da sala. 


"O que a senhorita Croon quis dizer é que, como eu tinha dificuldade de falar com as outras crianças e gritava muito e tinha a capacidade de bater na minha cabeça com um sapato ou com livro se alguém não seguisse as regras, era provável que eu precisasse cursar uma escola especial ou algum outro sistema de ensino."

Seu pai um dia traz para casa uma cachorra que encontrou nos fundos do bar. Assim, Poça como passou a ser chamada, tornou-se uma grande amiga e companheira fiel para Rosa. Infelizmente após uma tempestade, Poça desaparece e Rosa coloca toda a sua capacidade de planejamento para encontrar sua amiga.


"As tardes ficaram longas. Parecia que tinham muitos vazios: o vazio entre olhar a caixa da minha mãe e começar a fazer o dever de casa, o vazio entre terminar meu dever de casa e começar a fazer o jantar. Não sei o que fazer com esses vazios. A Poça costumava preenchê-los."

A narrativa teve pontos fortes que necessito ressaltar: uma menina autista, um tio maravilhoso que sabia lidar com os bons e maus momentos de Rosa e claro uma cadela que tornava seus dias mais felizes.



Infelizmente o livro pecou feio em alguns aspectos: a maneira hostil que o pai tratava Rosa, achando que a menina tinha que se limitar, engolir seus ataques de pânico e ser uma pessoa normal; a maneira como Rosa se sentia responsável pela ausência da mãe (no final ficamos sabendo que a mãe tinha morrido de um aneurisma no coração, então me pergunto o motivo de tanta crueldade do pai sustentar uma mentira); a maneira estereotipada que a narrativa aconteceu, mostrando uma Rosa que narrava tudo nos mínimos detalhes, sem experiências emocionais, de maneira desapaixonada como se um autista não fosse capaz de criar conexões com suas emoções e acontecimentos externos; o “cuidado” exacerbado que a menina tinha em não chatear o pai, mantendo suas emoções sobre controle e a maneira como ela estava sendo “treinada” para aprender a conversar com seus colegas, sem mostrar seus interesses de forma a conquistar amigos.


“Não queria fazer isso, mas regras são regras e eu tinha de obedecê-las.”



Aguardei muito da narrativa enquanto esperei que Rosa fosse mostrada com todas as suas características reais do aspecto autista. Ela nitidamente estava tentando ser enquadrada no comportamento de uma pessoa neurotípica.  Mesmo mostrando o interesse ininterrupto em sua obsessão com homônimos, regras, números, e certos padrões, que habitualmente são tidos como exemplos de comportamento de uma pessoa com autismo, quando provocada em suas respostas emocionais, claramente Rosa tinha seus sentimentos esmagados, só podendo revelar o que estava sendo ensinada. 




Ficou clara a concepção que autistas não sentem emoções. Que são pessoas ser desprovidos de afeto e que podem ser machucados com palavras e ações, desde que eles não possuem a compreensão emocional e são tomados por seres literais. Ou seja, Rosa tinha uma enorme empatia com a cachorra Poça, mas na escola era motivo de piada, chacota que simplesmente a professora ignora e sua “cuidadora” achava que quando ela se chateava com tal comportamento vindo de seus colegas, eram simples ataques de birra e para tanto necessitava ser acalmada.


"Meus colegas zombam de mim por vários motivos. Entre eles, por gostar de obedecer às regras e falar o tempo todo sobre homônimos. A senhora Leibler é minha acompanhante e senta comigo na sala da senhora Kushel...
Quando dou algum fora no meio da aula de Matemática, a senhora Leibler põe a mão no meu braço. E quando bato na minha cabeça e começo a chorar, ela diz:
- Rosa, você precisa ir ao corredor um minutinho?"


Achei que a narrativa passou uma mensagem errônea que autista não pode sentir, não pode experimentar frustrações e emoções de uma pessoa dita normal que logo é taxado como louco, birrento, retardado ou que precisa no mínimo ser contido.


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