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[Resenha #1116] Uma Vida em Cartas - George Orwell @cialetras


Uma Vida em Cartas
George Orwell
ISBN-13: 9788535922998
ISBN-10: 8535922997
Ano: 2013
Páginas: 536
Editora: Companhia das Letras
Classificação: 5 estrelas
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Sinopse:
Nascido numa família da classe média inglesa intimamente ligada ao colonialismo europeu na Ásia, George Orwell — não fosse seu temperamento irrequieto e contestador — poderia ter se tornado, como seu pai, um obscuro burocrata da administração imperial. Mas os horrores da exploração colonial marcaram profundamente o futuro autor de Dias na Birmânia, e em 1927 ele decide se embrenhar numa vida incerta de vagabundo, operário e escritor freelancer. Só duas décadas mais tarde, após inúmeras dificuldades pessoais e gravemente enfermo, Orwell enfim encontraria a consagração literária. Uma vida em cartas permite acompanhar essa singular trajetória por meio da voz inconfundível do próprio Orwell. Entre amigos, editores, parentes e simples leitores desconhecidos, o escritor britânico correspondeu-se generosamente com as pessoas que exerceram influência sobre sua vida e produção literária. Selecionada entre as várias centenas de suas cartas conhecidas, esta coletânea contextualiza os principais movimentos do autor em meio a seu ambiente político, familiar e profissional. Com amplo aparato crítico, o livro fornece ainda valiosos subsídios para a compreensão de fatos biográficos — como sua participação na Guerra Civil Espanhola entre as fileiras de uma milícia comunista, os padecimentos decorrentes da tuberculose e a militância antipacifista durante a Segunda Guerra Mundial — e, por outro lado, da gênese dos romances e ensaios mais importantes.



Resenha:

Uma Vida em Cartas trás um compilado de cartas escritas, majoritariamente, por George Orwell, mas, também há cartas escritas por outras pessoas, como Eileen (primeira esposa de Orwell). De acordo com Peter Davison, que selecionou as cartas para a edição original, a seleção foi feita com dois objetivos: que as cartas escolhidas ilustrassem a vida e as esperanças de Orwell e que cada carta fosse interessante por si só.


“Escrevo como prometi, mas não posso garantir uma carta coerente, pois a mulher no andar de baixo está tornando a casa inabitável tocando canções religiosas no piano, o que, em combinação com a chuva lá fora e um cachorro latindo em algum lugar na rua, está me qualificando rapidamente para um hospício.” p. 54






Além de selecionadas, as cartas foram organizadas em ordem cronológica, começando no ano de 1911, quando Eric (verdadeiro nome de George Orwell) tinha apenas 8 anos de idade e escreveu para sua mãe, até 1950. A última carta contida no livro foi escrita por Sonia Orwell (segundo casamento de Orwell), pois o marido estava muito doente e “sem forças para escrever ele mesmo.”







Dessa forma, o livro se organiza como uma biografia, mostrando cada momento da vida do autor e revelando um homem determinado, controverso, por vezes inseguro, e bastante sarcástico. O livro também trás desenhos feitos por Orwell e fotos. Uma das coisas que eu mais gostei de ver nas cartas foram as menções aos livros que Orwell estava escrevendo, como A Flor da Inglaterra, O Caminho para Wigan Pier, A Revolução dos Bichos e 1984. As cartas também mostram momentos intensos da vida do autor, como a guerra, a morte de sua primeira esposa e a morte de sua mãe.


“Meu romance deve sair em Nova York amanhã – não sei se vai realmente, mas é a data que está marcada. Por favor, reze pelo seu sucesso, ou seja, nada menos que quatro mil exemplares. Suponho que as orações de filhas de clérigos ganham uma atenção especial no céu, pelo menos no lado protestante.” p. 72


     O livro é bem contextualizado, sendo possível compreender o contexto histórico no qual as cartas foram escritas. Eu me surpreendi com a personalidade de Orwell, pois não o imaginava tão inseguro quanto o percebi. Obviamente, era um homem de opiniões fortes e muito inteligente.


“Se por acaso conseguir a sua aceitação, por favor cuide para que seja publicado sob pseudônimo, pois não me orgulho dele.” p. 48

    Enfim, não há muito o que dizer sobre o livro, pois são cartas. Se você nunca leu Orwell, não irá achar nada atrativo ler as cartas escritas por ele. No entanto, se você já leu ao menos um livro do autor e quer saber mais sobre a vida dele, Uma Vida em Cartas é uma ótima opção.


1 comentários:

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