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[Resenha #1140] O Menino Feito de Blocos - Keith Stuart @editorarecord


O Menino Feito de Blocos
Keith Stuart
ISBN-13: 9788501108081
ISBN-10: 8501108081
Ano: 2016
Páginas: 378
Idioma: português
Editora: Record
Skoob
Classificação: 4 estrelas
Compre: Submarino

Uma história sobre um pai e seu filho autista, e sobre um jogo que mudou suas vidas. Alex ama sua família, mas tem dificuldade em se conectar com Sam, o filho autista de oito anos. A tensão crescente da rotina leva seu casamento ao ponto de ruptura. Jody não aguenta mais o marido ausente e que pouco participa da vida do filho. Então Alex vai morar com o melhor amigo, e passa a dormir no colchão inflável mais desconfortável do mundo. Enquanto Alex enfrenta a vida de homem separado, cumpre a função de pai em meio-expediente e é confrontado com segredos de família há muito enterrados, seu filho começa a jogar Minecraft. E o que acontece depois disso é algo que nem Alex, nem Jody, nem Sam poderiam imaginar. Inspirado no relacionamento do autor com seu filho autista, O menino feito de blocos é um livro emocionante, engraçado e verdadeiro sobre o poder da diferença e sobre um menino para lá de especial.


Resenha:

Emocional, honesto e totalmente convincente esta é realmente uma história inspiradora que muitas pessoas podem se relacionar.

A vida de Alex está desmoronando. Sua esposa, Jody, o pede para sair de casa. O ponto de discórdia em seu casamento é a incapacidade de Alex para se conectar como pai de seu filho autista de oito anos, Sam, e ele também vive extremamente distante da família. Alex vai morar na casa de um amigo muito bem sucedido, o que o faz se sentir frustrado consigo mesmo, pois ele tem um emprego que ele detesta. Além disso, ele ainda está carregando um trauma não resolvido desde a sua infância.

"Quando você perde alguém, a dor vai atrás de você com tudo, como uma enchente-relâmpago, derrubando todas as defesas que ergueu com tanto cuidado. Você faz o que pode; usa o que estiver à mão para ajudá-lo a sobreviver."






Alex vive com medo de seu filho autista. O pensamento de levar Sam para o parque ou passar algum tempo com ele por si só é suficiente para induzir um ataque de pânico. Sam foi diagnosticado com autismo, e ele é uma criança que tem imensa dificuldade de socialização, com um temperamento extremamente instável, indo desde a calmaria, a violência em questão de segundos.

"Posso sentir meus níveis de ansiedade se elevando. Sam de bom humor é um desafio, Sam de mau humor é imprevisível e assustador."




Para piorar, Alex perde seu emprego, e como sua ex-esposa começa a trabalhar, ela deixa Sam com Alex, mas como ele vai se aproximar de seu filho que ele não compreende?

"O autismo é uma versão amplificada e muito centrada de como todos nos sentimos, das ansiedades que todos temos. A diferença é que o restante de nós esconde tudo sob camadas de negação e condicionamento social."



As coisas começam a mudar entre pai e filho quando Sam ganha um Xbox e descobre o jogo Minecraft. Alex descobre que não só, ele pode estar ao lado do filho e passar seu tempo jogando o jogo com o dele, mas o mundo de Minecraft ajudou Sam a abrir partes dele que estavam trancados antes. O jogo ajudou a Sam a construir seu vocabulário, a ficar mais comunicativo, a interagir com outras crianças, e mostrar o quanto ele é inteligente e capaz. Não é um milagre. Mas é um grande progresso.

"Somos nós mesmos dentro de cavernas e caminhando por planícies verdejantes sob o brilhante sol quadrado. É como se tivéssemos nos libertado de nós mesmos."

"Penso em como a felicidade é fugaz e frágil.  É tão fácil deixá-la escapar. Às vezes, ela passa e você não vê. Mas, às vezes, se você for extremamente sortudo e paciente, ela aparecerá outra vez."

"A vida é uma aventura, não um passeio. É por isso que é difícil, porque a vida é extraordinária e cheia de significado, e coisas assim têm custo. É preciso ser paciente, forte e estar preparado."



O autor injeta humor sutil no livro, o que foi muito bem feito e forneceu algum alívio para alguns dos problemas mais graves na história. A escrita é bem rápida e fluída,  suas descrições foram bem desenvolvidas, você consegue visualizar cada coisa, e se sentir dentro da história.



Esse livro traz um aspecto interessante sobre os videogames, enquanto existe por aí uma má reputação sobre eles, o livro nos mostrou um outro lado, um lado positivo que o jogo trás, graças ao jogo, pai e filho puderam se aproximar, e ajudou a criança a se desenvolver e a superar limites.

Para quem não sabe, o autor desse livro, Keith Stuart, é editor de games e tecnologia do jornal britânico The Guardian, e seu livro é quase uma autobiografia, pois o personagem Sam foi baseado em seu próprio filho, Zac, que percebe a realidade como um quebra-cabeça ao qual as peças mal se conectam.



A editora fez um belo trabalho com a capa desse livro, ficou muito bonita. A diagramação está ótima, assim como a tradução e revisão.

Mais que recomendo este livro para todos, pois é uma história muito inspiradora, e que ajudar a espalhar mais compreensão e consciência sobre o autismo. Além disso, o livro também é uma reflexão sobre a educação dos filhos, pois independente da criança ter ou não autismo, educar exige que prestemos atenção nos interesses dos filhos e mesmo com o dia-a-dia corrido, não podemos perder a chance de ter uma relação com eles.

1 comentários:

  1. Minha nossa, completamente emocionante! Não vejo a hora de ler essa obra!

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