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[Resenha #1206] As meninas ocultas de Cabul - Jenny Nordberg @cialetras


As meninas ocultas de Cabul
Autor(a): Jenny Nordberg
Editora: Companhia das letras
Páginas:416
Nota: 4 estrelas
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Compre: Amazon 

Sinopse: Durante cinco anos de pesquisas no Afeganistão, a repórter Jenny Nordberg descobriu que algumas famílias criam suas filhas como se fossem meninos, tentando fazer com que a comunidade acredite que as crianças são de fato do sexo masculino. A prática, conhecida como “bacha posh”, foi revelada por Jenny em reportagem de grande repercussão no New York Times. Embora o Talibã tenha deixado o poder em 2001, muito do que aquela milícia fundamentalista acreditava sobre as mulheres continua em voga. Este livro mostra em detalhe os horrores de um ambiente machista, e serve de alerta para a comunidade internacional sobre um crime que nenhum relativismo cultural é capaz de atenuar.



Resenha:

“As meninas ocultas de Cabul” relata a existência de “bacha posh”, termo designado as meninas que são vestidas de meninos no Afeganistão devido a diversas situações; seja para ajudar os pais através do trabalho, muitos deles ainda proibidos para as mulheres; ou para dar status a uma família só com filhas mulheres.


A existência dessas meninas foi relatada pela jornalista Jenny Nordberg, que através de entrevistas que fez com uma afegã que trabalhava no parlamento, Azita, descobriu que seu filho, na verdade era uma menina, a qual eles vestiram com roupas masculinas e mudaram seu visual para que ela se passasse pelo filho da família, que só tinha filha mulheres. A partir da descoberta desse caso, a jornalista começa uma busca por casos semelhantes, e aprofunda a pesquisa sobre essa prática.

“ Em um outro universo, em outra vida, a cor favorita de Azita seria o vermelho vivo – mas é uma cor impossível no Afeganistão”. Pág 46


O Afeganistão, ainda é um país com uma forte cultura machista, onde a grande maioria das mulheres vive sob um sistema patriarcal, que utiliza o casamento como uma moeda de negociação, e que limita as atividades das mulheres tanto na vida profissional como pessoal. As mulheres criadas nesse sistema se vem pressionadas a dar filhos homens as suas famílias, caso isso não aconteça eles perdem posição dentro da casa, e muitas vezes tem de dividir o teto com outras esposas.

“ Reputação é uma das poucas moedas legítimas, e preservá-la deve sempre ser prioridade. Com a consequência de que é preciso ter filhos homens a qualquer custo”. Pág 68




Como solução, muitas mães passaram a vestir suas filhas de meninos até o início da adolescência, acredita-se também que essa prática traz sorte para que meninos nasçam na família. A repórter conheceu várias famílias com meninas que já tinha passado por essa situação, ou que ainda estavam passando, e pode ver de perto o efeito psicológico que essas crianças sofrem com a transformação, principalmente no momento de voltarem a serem meninas, e a perder a liberdade conquistada quando se vestiam de homem. 

“Ainda que nenhuma delas tenha escolhido voluntariamente se passar por menino, a maioria diz que gosta dessa condição emprestada”. Pág 92


O livro é muito bem escrito e contém uma narrativa que prende o leitor, nos deparamos com vários casos de bacha posh; onde são relatados como essas meninas foram transformadas e como elas encaram as limitações diárias quando foram, na maioria das vezes, forçadas a se transformarem em mulheres novamente. Durante a leitura também somos apresentadas a situação das mulheres como um todo no Afeganistão, suas vestimentas, obrigações na sociedade, e privações.

“- As pessoas dizem palavras ofensivas as meninas; gritam para elas nas ruas – diz Zahra – quando vejo isso, não quero ser menina. Quando sou menino, não falam comigo dessa maneira”. Pág 127

Para mim, o que mais marcou, além do fato de tomar conhecimento dessa prática (que eu até então desconhecia), foi como o psicológico dessas crianças é afetado durante o processo, elas têm o direito a uma vida de liberdade durante a infância e as vezes parte da adolescência, e de uma hora para outra, quando voltam a ser mulheres, tem seus direitos tomados, não podem mais andar sozinha, sair à rua, trabalhar em ambientes masculinos, etc. 
Esse é um daqueles livros que além de informar, também leva o leitor a reflexão.

“Independentemente do que sejam, ricas ou pobres, instruídas ou iletradas, as afegãs apontam a diferença entre homens e mulheres com uma só palavra: liberdade”. Pág 264

1 comentários:

  1. Que post perfeito, muito explicativo!
    https://grandemetamorphose.blogspot.com.br/

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