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[Resenha #1210] Jantar Secreto - Raphael Montes @cialetras


Jantar Secreto
Raphael Montes
ISBN-13: 9788535928358
ISBN-10: 8535928359
Ano: 2016
Páginas: 360
Idioma: português 
Editora: Companhia das Letras
Classificação: 5 estrelas
Skoob
Compre: Amazon

Sinopse: Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles.





Resenha:

Jantar Secreto, do autor nacional Raphael Montes, segue o padrão do autor, trazendo temas bizarros, cenários contraditórios e uma narrativa visceral e gráfica, repleta de elementos dignos de um filme de terror. Somado a isso, o livro trás uma proposta muito interessante para reflexão.

O livro conta a história de quatro amigos que, após deixarem sua pequena cidade natal no interior do Paraná, partem para o Rio de Janeiro para cursarem a faculdade. Dante, nosso narrador, estuda Administração, Hugo, o mais ambicioso, é um aspirante a chefe de cozinha, já Miguel, que é o mais certinho do grupo, estuda Medicina, e, por fim, Leitão, vai para a cidade maravilhosa para estudar Ciência da Computação.


No entanto, infelizmente, nada sai como o planejado e os quatro amigos não levam a vida que gostariam de levar. Hugo trabalha como assistente de cozinha e sente que não recebe o reconhecimento que merece, Dante acaba como vendedor em uma livraria, enquanto sonha com dinheiro e sucesso, Leitão abandona a faculdade, engorda mais de 50 quilos e vive da forma mais preguiçosa possível, em meio a jogos, filmes e aplicando golpes online, e, por fim, Miguel, que passa mais tempo no hospital do que em casa.


O clima de insatisfação é bastante presente. A frustração que Dante sente é palpável e as reflexões feitas pelo protagonista são tão pertinentes à realidade que os jovens estão vivendo atualmente no Brasil que é impossível não se apegar rapidamente ao personagem.

Como a cereja do bolo, os quatro amigos adquirem uma dívida milionária na imobiliária e, num momento de desespero, eles acabam organizando um jantar com carne humana, atraindo ricaços entediados e curiosos e arrumando uma rápida e eficaz solução para seus problemas. Porém, a coisa foge do controle e as consequências são inimagináveis. 


O livro possui um ritmo agradável e é difícil se entediar. A sensação de ansiedade que a narrativa nos proporciona é incomoda ao ponto de nos sentirmos tão culpados quanto os personagens. Há uma passagem no livro, já no final da história, que é difícil de ler. Raphael Montes está de parabéns pela escrita detalhista que consegue projetar em nossa mente imagens perfeitas, nos fazendo visualizar os acontecimentos da mesma forma que acontece quando assistimos um filme.

“Tem gente de sobra no mundo. A China está toda fodida com a superpopulação. A África, a Índia... Já viu quanto mendigo tem por aí? E as favelas? Parecem formigueiros! Ainda tem essa cambada que vagabundeia e vive de subsídio do governo. Bolsa Família, cotas, nem sei mais o quê. Pega essa gente toda e fatia. Faz bife. Carpaccio. Pobre à milanesa. Vai revolucionar a cozinha no mundo. E vai dar uma esvaziada boa, uma limpada.” p.166

Além de trazer reflexões sobre a atual situação político-econômica do Brasil, Jantar Secreto também nos faz questionar até que ponto iríamos em momentos de desespero. E, por fim, talvez a reflexão mais importante seja: porque achamos tão absurdo a hipótese de consumo de carne humana e não nos importamos com a criação de animais para o abate? O que nos diferencia de uma vaca ou um porco? Até que ponto essa lógica faz sentido? Será que simplesmente não nos acostumamos a ouvir que ‘isso pode’ e ‘aquilo não pode’ e nem nos preocupamos mais em questionar? Enfim, é um tema difícil de engolir (olha o trocadilho), mas que, certamente, vale a pena dedicar um momento para essa reflexão.


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