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[Resenha #1214] It A Coisa - Stephen King @Suma_BR @StephenKing


It: A Coisa
Stephen King
ISBN-13: 9788560280940
ISBN-10: 8560280944
Ano: 2014
Páginas: 1.103
Editora: Suma de Letras
Skoob
Classificação: 4 estrelas
Compre: Amazon

Sinopse: Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e... do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Em 'It - A Coisa', clássico de Stephen King em nova edição, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.



Resenha:

It: A Coisa talvez seja um dos livros mais difíceis que eu já tive que resenhar. Isso porque o livro é muito complexo, muito bizarro e muito grande. Stephen King levou quatro anos para escrever It e conseguiu criar uma atmosfera tão incrivelmente realista e crua que é impossível não se sentir imerso em Derry.

Derry é uma pequena cidade do Maine onde vivem sete crianças desajustadas que, juntas, formam o Clube dos Otários. Bill é gago, Richie usa óculos, Stan é judeu, Mike é negro, Eddie tem asma, Ben é gordo e Beverly, bem, Bev é menina. Esse improvável grupo encontra, uns nos outros, a aceitação que nunca tiveram. Perseguidos por um grupo de valentões liderados por Henry, tudo o que eles querem é fugir dos problemas e se divertirem em paz. 

Porém, a tranquilidade parece inalcançável quando uma série de acontecimentos estranhos se inicia na pacata Derry. Na verdade, ao longo da leitura, percebemos que Derry nunca foi normal, parece haver um tipo de energia estranha e macabra que cobre a cidade. E o acontecimento que dá início a essa série de acontecimentos é justamente o assassinato do irmão mais novo de Bill, George. 


A história se passa em dois tempos diferentes: 1958 e 1985. Ao mesmo tempo que vemos crianças lutando contra uma força que está muito além de sua compreensão, vemos adultos sendo compelidos a se reunir novamente em nome de um juramento que fizeram há quase 30 anos. O juramento era: Se A Coisa voltar, nós voltaremos para destruí-la de uma vez por todas.

“Sabem, comecei a pensar que a Coisa está aqui há tanto tempo... seja lá o que ela for... que se tornou parte de Derry, tão parte da cidade quanto a Torre da Agua, o Canal, o Parque Bassey e a biblioteca. Só que a Coisa não é um item geográfico externo, entendem. Talvez tenha sido assim uma época, mas agora a Coisa está... dentro. De alguma forma, a Coisa entrou.” p. 490

Não há muito mais que eu possa dizer, pois qualquer coisa além disso seria spoiler e iria estragar sua experiência ao ler o livro. Afinal, o ponto forte dessa história é ir colhendo dicas e pistas para entender o que acontece em Derry, o que é a Coisa, o que aconteceu com as crianças, por que eles não mantiveram contato, o que é a Tartaruga, dentre muitas outras questões que nos atormentam do início ao fim do livro.

O mais incrível nesse livro é a capacidade de King em criar uma atmosfera tão favorável para a leitura, um clima sombrio de mistério. Sou incapaz de expressar o fascínio que Derry exerceu sobre mim, o quanto aquilo cresceu em minha mente e foi se tornando mais real a cada página. Além disso, a construção dos personagens é excepcional. 

No entanto, como nada é perfeito, preciso falar também dos fatores que me incomodaram no livro. Primeiramente, o autor possui uma estranha mania de exagerar no volume de informações desnecessárias e isso faz com que, infelizmente, as 1.100 páginas não sejam completamente justificadas. Em vários momentos eu me questionei sobre a utilidade das informações fornecidas por Stephen King. A primeira metade do livro é maçante de tão chata e prolixa. 
Outro ponto negativo, em minha opinião, foram algumas das explicações. O autor cria uma curiosidade crescente em nós e, por isso, ao longo da leitura, vamos criando diversas teorias, palpites e suposições sobre a origem da Coisa, sobre sua real aparência e sobre o que aconteceu no encontro entre a coisa e o Clube dos Otários. E eu achei as explicações dadas pelo autor extremamente toscas. 


A origem da Coisa é meio difícil de engolir, a aparência real dela é completamente decepcionante, entre tantos outros acontecimentos que me pareceram completamente desconexos e forçados. O que acontece quando as crianças estão tentando voltar para a superfície (quem leu vai saber do que estou falando) é absurdamente sem sentido, a explicação do autor é tão boba que me fez pensar que ele só escreveu essa passagem para chocar os leitores, o que torna a passagem completamente desnecessária.

Eu não senti medo em momento algum e realmente acho que esse não é o foco do livro, nem a intenção do autor. It é um livro sobre amizade, sobre amor, sobre o poder da união e, de certa forma, é um livro sobre o mal de modo geral, a maldade, a violência e o preconceito. O sentimento mais frequente que tive foi tristeza, fiquei triste com as histórias de vida dos protagonistas, especialmente Bill, Eddie e Beverly e fiquei triste com os acontecimentos finais. Toda a história possui esse tom melancólico que nos deixa de coração apertado.


A análise final que fazemos do livro é muito rica, especialmente a reflexão sobre a maldade e sobre ela estar dentro ou fora do ser humano. Após a leitura, eu comecei a perceber que a intenção do autor vai muito além de escrever um livro de com uma criatura que pode assumir várias formas. Na verdade, há uma crítica social muito maior por trás dessa Coisa. Há um momento, logo no início do livro, que um personagem diz que A Coisa é Derry e isso fez muito sentido pra mim ao longo da leitura, não só se aplicando a Derry, mas a qualquer outra cidade, país, às pessoas de modo geral. Ao final do livro, eu comecei a me perguntar se tudo não passa de uma grande metáfora.

Enfim, eu poderia escrever um livro só para tecer comentários sobre It, pois é muita informação. O livro é muito bom, apesar de possuir muitos defeitos, e apesar de ser um livro gigante, eu encorajo a leitura, pois a escrita do autor é agradável e fluida, muito fácil de ler. 


2 comentários:

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