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[Resenha / Crítica de Filme] O Círculo - Emma Watson, Tom Hanks @cialetras @ImagemFilmes



O Círculo 
Data de lançamento 22 de junho de 2017 
(1h 50min)
Direção: James Ponsoldt
Elenco: Emma Watson, Tom Hanks, John Boyega 
Gêneros: Suspense, Drama
Sinopse: The Circle é uma das empresas mais poderosas do planeta. Atuando no ramo da Internet, é responsável por conectar os e-mails dos usuários com suas atividades diárias, suas compras e outros detalhes de suas vidas privadas. Ao ser contratada, Mae Holland (Emma Watson) fica muito empolgada com possibilidade de estar perto das pessoas mais poderosas do mundo, mas logo ela percebe que seu papel lá dentro é muito diferente do que imaginava.



Resenha:

No último dia 20 de junho participei a convite da Companhia das Letras de uma sessão especial do filme O Círculo, inspirado no livro homônimo, do autor Dave Eggers. O longa metragem conta a estória da jovem Mae Holland (Emma Watson) que acaba de conseguir um emprego na maior empresa de tecnologia na Califórnia: O Círculo. A empresa em questão ficou conhecida por criar o True You, uma plataforma que uni em um único local seu email, mídias sociais, operações bancárias e etc.




Depois de passar necessidades com seu pai doente, portador de esclerose múltipla, Mae mal acredita na sua sorte de conseguir uma vaga tão almejado. Mas nem tudo é o que parece, por trás de tanta empatia e tecnologia começam a surgir questões que atravessam temas como privacidade e democracia. E Mae terá que decidir seu papel nesta nova tendência mundial quando é usada para um novo experimento da empresa quebrando seus próprios princípios. 





A principal questão trabalhada neste filme não é nova, ela vem sido colocada em diversas manifestações artísticas, sejam livros, séries, filmes e até artes plásticas fazem muitos anos. Com o tempo o que virou uma tendência é que essa empresa principal que a tudo domina sempre soa como sendo a Google. Portanto neste quesito não temos nenhuma inovação, apenas novas ideias tecnológicas possíveis (e quem sabe até já existentes?).

Entretanto os questionamentos e reflexões propostas são muito válidas, até que ponto vai sua privacidade e até que ponto é certo abrir mão da mesma em prol da melhora da comunidade? Até que ponto a minha liberdade pode deixar de existir para me obrigar a determinados comportamentos esperados socialmente? E quem vai criar limites quando a privacidade e a liberdade caírem e todos se tornarem um grande órgão?






Para encontrar respostas validas destes questionamentos é preciso definir o que entra no âmbito da privacidade, o que é  a liberdade, e o quanto que estes conceitos mudam dentro de diferentes culturas. Portanto não há respostas prontas para nenhuma destas perguntas, repostas únicas ou universais. Cada um dependendo de sua necessidade vai permitir que essa invasão seja diferente, como no caso da protagonista que acaba cedendo facilmente as exigências da empresa quando esta começa a ajudar seu pai.





Outro tema importante de ser citado é a alienação que já é tema comum e recorrente em nosso presente. Quando sua vida na internet passa a ser mais importante do que sua vida real algo errado está acontecendo. Quando o que as pessoas virtuais começam a ser mais relevantes do que sua família uma cisão com a realidade surge. E um ponto importante, até hoje por mais inteligente que a internet e a tecnologia seja ela ainda não consegue substituir o convívio humano, e todas as experiências geradas por este contato.


Mae, nossa protagonista é bem apresentada e delimitada, o que gera desde o inicio identificação e torcida por seu futuro. Foi fácil se imaginar no lugar dela, ganhando melhor, e diante de uma empresa que inova para o futuro. Mas não acredito que a personagem que valoriza passeios a caiaque seja a mesma que termina a trama, acho que a sua evolução é falha neste sentido.




Pensando agora o filme quanto as questões cinematográficas vejo ele como um meio termo entre um blockbuster e o filme cult, ele não tem cenas de ação suficientes para levar grandes bilheterias aos cinemas, apenas bons atores, mas também não aprofunda o suficiente na filosofia para ganhar o coração da cena underground. O roteiro é bem elaborado no seu início, e temos dois grandes atos, em um primeiro momento Mae como a empregada perfeita, e o segundo quando ela descobre que existe algo errado com a empresa, mas este segundo falha. E esta é minha maior decepção, quando a trama chega no seu ápice, e parece que teremos uma reviravolta relevante o filme simplesmente acaba e nos deixa com várias perguntas.


A fotografia é um ponto forte e marcante, e não conseguimos saber ao certo se estamos no momento atual da estória, ou no futuro, embora a premissa do livro seja no futuro. As cenas são bonitas, bem enquadradas e com uma boa produção artística. A apresentação deste novo universo tecnológico foi bem realizada e não foi difícil imaginar que toda esta tecnologia estará em breve em nossas casas.

O Círculo é um filme repleto de potencial que não se realiza (irônico porque esse é o maior medo da protagonista), talvez se não existisse o seriado Black Mirror ele soasse mas interessante, mas com um seriado como esse que trabalha com todas estas questões de forma agressiva e direta, O Círculo soa como um ensaio, uma semente que teve medo de germinar.


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