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[Resenha #1254] As Bruxas de Eastwick - John Updike @cialetras



As Bruxas de Eastwick
John Updike
ISBN-13: 9788535916836
ISBN-10: 8535916830
Ano: 2010
Páginas: 360
Editora: Companhia das Letras
Skoob
Classificação: 4 estrelas
Compre: Amazon

Sinopse: Publicada originalmente em 1984, esta obra é uma sátira à bruxaria, que, transplantada do cenário sombrio da Nova Inglaterra do século XVII, ressurge numa ensolarada cidade contemporânea e serve de ponto de partida para tratar de temas como o desespero pela chegada da meia-idade, a atmosfera asfixiante das cidadezinhas provincianas e os costumes da classe média americana.



Resenha:


Década de 60, Eastwick, Rhode Island, uma pequena cidade da Nova Inglaterra, é o local onde moram Alexandra Sporoff, Sukie Rougemont e Jane Smart, três bruxas divorciadas de meia idade que se encontram todas as quintas-feiras para conversar, cozinhar, beber e fazer magia. De repente, suas vidas são transformadas pela chegada de Darryl Van Horne, um solteiro elegível e aparentemente rico que se muda para uma antiga mansão.

Darryl Van Horne tem um gosto bizarro em festas, arte e decoração. Em sua casa recém-renovada, completa com uma sauna, as mulheres encontram um novo local de encontro para suas reuniões semanais tradicionais. O sexo, as drogas e o álcool tornam-se pilares em seus encontros. As preocupações iniciais sobre quem acabará por ganhar o coração de Darryl dão lugar a uma camaradagem curiosa entre as mulheres quando descobrem que ele quer todas elas, pelo menos por um tempo. E a relação dele com as três mulheres vira o escândalo da cidade. Mas o mistério continua a cercar de Van Horne. De onde vem toda a sua riqueza? Por que suas roupas são monogramas com outras iniciais? E qual bruxa é o objeto real de suas afeições?


Este é o livro mais conhecido de John Updike e foi adaptado para o cinema em 1987 com direção de George Miller. Nesta versão, Jack Nicholson interpreta Van Horne, a cantora Cher faz o papel de Alexandra, Susan Sarandon é Jane, e o papel de Sukie é interpretado por Michelle Pfeiffer. O final da versão cinematográfica é diferente do fim do livro. Eu acredito que certas mudanças são necessárias, mas ao meu ver, o final apresentado pelo filme é totalmente desnecessário e acaba com a atmosfera mística do romance.


Este livro postula a possibilidade de satisfação de desejos instantâneos e questiona as implicações morais de tal proposição: esse poder poderia ser corrompido? E até que ponto? Qual é a natureza dessa corrupção? Quanto prazer é demais? É através da vida cotidiana dos personagens principais que esses temas são explorados, bem como outros sobre religião, gênero e moral. O narrador guia o leitor através das dúvidas de Alexandra sobre si mesma e seu consequente uso de feitiçaria para sustentar sua vida sem sentido. Principalmente através de Alexandra, os leitores conhecem o modo como os problemas diários podem ser atendidos com um feitiço. Os leitores também vêem, no entanto, o lado mais sombrio de tal poder, como quando a petulância de Alexandra faz com que a idosa Lovecraft quebre seu quadril. Da mesma forma, a paixão de Jane pelo violoncelo torna-se uma obsessão sob a tutela do diabólico Darryl. A inocência de Sukie também sofre uma transformação, e ela muda de confidente de Alexandra para uma bruxa vingativa.

O que faz com que este livro mantenha seu poder é tanto a riqueza da escrita de Updike, para qual esse assunto é perfeito e a originalidade da história. Sua adaptação mostra quão limpo é um conceito - o das bruxas contemporâneas da cidade pequena e, como importante, a chegada de Van Horne foi em suas vidas. É a amizade entre as três mulheres que é um dos triunfos do livro. Para o Updike, pinta três mulheres muito diferentes que compartilham o respeito mútuo, mas têm características diferentes e querem coisas diferentes. Este livro continua a ser uma leitura maravilhosa e uma metáfora bem sucedida. Recomendo. 

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